Contagem das Abóboras
Conheça a história de sua cidade


Contagem não teve fundadores, tiveram sim, muitos trabalhadores, pessoas que vieram em busca de oportunidade. Estes desbravadores construíram e fizeram da cidade de Contagem um dos pólos industriais mais importantes do país.

O município de Contagem se originou do pequeno povoamento que surgiu espontaneamente no século XVII e início do século XVIII, quando em busca de ouro e pedras preciosas, as primeiras bandeiras paulistas chegaram em território da colônia portuguesa ainda desconhecida, mas que futuramente viria a chamar Minas Gerais.

Estes bandeirantes, principalmente Fernão Dias, criaram uma rota que tornaria, durante algum tempo, o caminho obrigatório entre as capitanias de São Paulo e a Serra do Espinhaço, local onde, em suas margens, foram descobertas as principais minas de ouro. Nesta região, conseqüentemente nasceriam as primeiras cidades mineiras (Ouro Preto, Mariana, caeté, Sabará, Diamantina e outras).

Pela necessidade de melhorar o abastecimento de mercadorias, o transporte de gados e escravos e a comunicação com outras regiões da Colônia, surgiram outras duas rotas, uma proveniente do Rio de janeiro e outra dos Sertões da Bahia.

Essas três principais rotas se cruzavam numa região conhecida como Abobra ( nome que o português arcaico se designava às abóboras). Segundo informações do livro “Contagem: origens”, o nome Abóboras dado à região, pode ter surgido quando os bandeirantes em suas viagens pontilhavam o território com pequenas roças de arroz, feijão e outras culturas necessárias para o suprimento das expedições. Prática necessária em razão das muitas distâncias e perigos de alguns assaltos. Essas roças eram cultivadas geralmente às margens dos rios e nessa região chamada abóbora, que fazia parte do grande Município de Sabará, Comarca do Rio das Velhas, teria sido cultivada uma roça de abóboras. Daí o nome Abóbora dado à região.

Para que as comarcas cumprissem as obrigações com a colônia, isto é, o pagamento dos quintos do ouro à Coroa, foi instalado em 1716, mo local onde cruzavam as três rotas, o Registro das Abóboras, na Comarca do Rio das Velhas. O local passou a ser conhecido por Contagem das Abóboras, lugar onde era feito a contagem de tudo que ali circulava e também o recolhimento das devidas taxas.

Por volta de 1750, o posto do Registro das Abóboras ou contagem das Abóboras foi desativado devido ao surgimento de novas rotas, o que reduziu o fluxo de pessoas, mercadorias e, conseqüentemente, a queda dos rendimentos e da importância de sua função arrecadadora. A reflexo dessa desativação, o arraial seguiu sua trajetória evolutiva em torno da Capela do seu padroeiro, São Gonçalo.

Em torno de 1780, a crise do ouro nas zonas mineradoras e a necessidade de dar ocupação à mão-de-obra escrava, consolidaram a atividade pastoril em Contagem das Abóboras. Foi nesse momento que surgiram as fazendas históricas, Madeira, Morro redondo, Serra Negra, Abóboras, Riacho das Pedras, Vista Alegre, Confisco e outras de mesma importância histórica. Também nesse momento chegaram na região as principais famílias tradicionais, Diniz, Macedo, Gonçalves Lima, Silva, Costa e pouco depois Camargos e Mattos.

No século XIX, o nome Contagem das Abóboras resumiu-se em “Contagem”. Desde sua origem (mais ou menos no ano de 1700), Contagem fez parte, como distrito, do grande município de Sabará, Comarca do Rio das Velhas, como a grande maioria dos municípios da atual região metropolitana de Belo Horizonte.

Mas por divergências políticas, em 1938, Contagem perdeu sua autonomia e durante mais dez anos passou a ser Distrito de Betim, readquirindo novamente sua emancipação política em 1948.

Durante esse período, a necessidade de industrializar Minas Gerais, propiciou em 1941, a criação de um parque industrial e o local escolhido foi aquele que hoje está situada a “Cidade Industrial”. A escolha ocorreu devido à proximidade da capital do Estado, Belo Horizonte, fornecedora de mão-de-obra, pela facilidade de conseguir matéria-prima e pela facilidade de abastecimento de energia elétrica fornecida pela nova empresa estatal, a Cemig. O novo parque industrial foi planejado e implantado para desenvolver a economia do Estado e a partir de 1948, dezenas de industrias se instalaram em Contagem.

Mesmo com todas as dificuldades sociais ocasionadas pela industrialização, a explosão demográfica e a incapacidade de atender às condições básicas da população, fizeram com que Contagem crescesse superando desafios, prosperando economicamente e tornando-se importante dentro e fora do Estado.

Quando a área da Cidade Industrial foi totalmente absorvida, criou-se em 1972, o Centro Industrial de Contagem (Cinco), dotado de toda a infra-estrutura necessária para a nova expansão. Outras áreas se formaram para permitir o crescimento industrial, o Cinquinho, o Cincão e Distrito Industrial da Ressaca.

Atualmente Contagem possui centenas de industrias, empresas prestadoras de serviços e de atividades comerciais diversas, como a Centra de Abastecimento (Ceasa), grandes supermercados e shoppings, que fazem do município, um dos principais pólos econômicos de Minas Gerais e do país.

A Companhia Industrial Estamparia é considerada a industria pioneira da Cidade Industrial, é isto, a primeira a emitir uma nota fiscal em Contagem. Outras empresas de igual importância participaram do processo de industrialização do Município de Contagem, a Cia de Cimentos Itaú, a Magnesita S/A, a Cia Fiação e Tecelagem São Geraldo, Ceres Ltda e Comércio de Máquinas e Cotonifício Minas Gerais, etc.

Hoje, a cidade de Contagem é considerada a terceira maior arrecadação do Estado, mas já ocupou a segunda posição por décadas, atualmente ocupada pela cidade de Betim.

Possui quase 700 mil habitantes, problemas sociais nas áreas de saúde, transporte, educação e infra-estrutura. A retomada do crescimento econômico e a geração de empregos passou a ser o caminho obrigatório capaz de melhorar as condições de vida dos contagenses.

Texto: Robson Rodrigues Moreira
Bibliografia: Livro Contagem: origens, de Adalgisa Arantes Campos e Carla Junho Anastácia e resumo do professor Miguel Ponsá.

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