Data de publicação: 09-12-2019 15:44:00

Brasil avança no IDH em 2019, mas terá novos desafios em 2020

O Boticário - Contagem
Foto: Internet/Reprodução
 
Agência Brasil
 
O Relatório de Desenvolvimento Humano de 2019 mostra que o Brasil teve sucesso no controle de certas desigualdades (expectativa de vida e renda média), mas será confrontado por novos desafios. O país caiu para a 79ª posição global – mesmo ranking de 2018 –, empatado com a Colômbia. Na América Latina, ocupa a 4ª posição, atrás do Chile, da Argentina e do Uruguai. O crescimento no índice foi de 0,001 ponto em relação ao ano anterior.
 
“O importante é notar o crescimento no IDH [Índice de Desenvolvimento Humano]. Ele é relativo e sofre alterações também dos outros países, que podem subir ou descer. O importante é notar a evolução. A nota que dou é positiva. O Brasil continua a fazer progresso, apesar de a economia ter sido pior que a esperada. O crescimento do Brasil é sólido, positivo e sustentado”, afirmou o economista português e diretor de Desenvolvimento Humano da Organização das Nações Unidas (ONU), Pedro Conceição.
 
O estudo deste ano apresenta algumas novidades. Entre elas, mudanças na metodologia de avaliação da qualidade de vida dos cidadãos dos 189 países analisados. “O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) está apresentando novas ideias para [medir] o desenvolvimento. Isso significa romper paradigmas. Queremos mudar a visão do progresso e do desenvolvimento pela ótica da renda, pela ótica das médias, e que é possível esperar até o último momento para tomar decisões. O desenvolvimento é multidimensional, e as médias podem esconder desigualdades. Isso atravanca o progresso”, explicou a coordenadora do relatório, Betina Ferraz Barbosa.
 
Como é calculado o índice
 
O IDH é calculado com base em três pilares considerados fundamentais pela ONU. Veja abaixo:


 
Desafios do futuro
 
Considerado um país de Alto Desenvolvimento Humano, o Brasil tem tido sucesso na melhora da expectativa de vida e no aumento da renda média per capita ao ano. O aumento do IDH tem sido constante nas últimas três décadas. De 1990 a 2018, o país cresceu 24%, número superior à média latina (de 21%) e à média global (de 22%). A expectativa de vida de um brasileiro ao nascer foi aumentada em 9,4 anos. Nesse mesmo período, a renda média da população cresceu 39,5%.
 
Mas nem todas as novidades do relatório são positivas. Segundo o PNUD, o acesso a estruturas de ciência e de tecnologia e à inovação são novos focos de desigualdade social. A desigualdade de gênero também representa um obstáculo para as políticas públicas. O relatório cita ainda mudanças climáticas como possíveis causas de desigualdades sociais.
 
“A primeira mensagem-chave deste relatório é que ele fala sobre desigualdades emergentes e aspirações de pessoas que esperam viver vidas dignas no século 21. Isso se reflete no que estamos chamando de ‘nova geração de desigualdades’. O relatório revela o progresso que houve em muitas dimensões, principalmente nas conquistas básicas [de direitos]. Temos que fazer uma busca profunda sobre a nossa economia, a nossa sociedade, e nas nossas políticas para descobrirmos as origens dessas novas desigualdades”, ressaltou Conceição.
 
Meta possível, mas improvável
 
Ainda há espaço para um crescimento significativo do Brasil, mas, ainda que o IDH dispare nos próximos anos, possivelmente não teremos resolvido as “desigualdades arraigadas”, como aponta Betina, que apresentou o relatório. “O Brasil já é bem classificado, e pode caminhar para outro nível. Mas resolvemos o problema? Não. Apenas aumentamos o que está na pequena cesta de desenvolvimento que forma o índice. Esse é o ponto [da nova metodologia]”, explicou.
 
No entanto, a realidade do Brasil está distante da categoria de países que têm o IDH exemplar. Eles são considerados países de Desenvolvimento Humano Muito Alto, de acordo com o caderno. O Brasil é citado no estudo como o país que mais perde posições no ranking, atrás apenas de Camarões. A Venezuela, que passa por profunda crise política e econômica, aparece em 96º lugar.
 
Veja, abaixo, o quadro comparativo entre o Brasil e o top 3 do ranking de IDH:

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