Data de publicação: 07-04-2021 18:29:00

Registros de óbitos crescem 40% no 1º trimestre de 2021 no Brasil

O Boticário - Contagem
Foto: Reprodução Internet
 
AGÊNCIA BRASIL
 
Somente no primeiro trimestre deste ano, o registro de óbitos nos cartórios de registro civil do Brasil aumentou 40% na comparação com o mesmo período de 2020. A causa desse crescimento foi a pandemia do novo coronavírus. A informação foi divulgada nesta quarta-feira (7) pelo vice-presidente da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), Luis Carlos Vendramin Júnior. “É assustador”, comentou.
 
As mortes registradas em todo o ano passado por todos os cartórios do país alcançaram 1.443.405, número 8,3% maior do que o do ano anterior, superando a média histórica de variação anual de óbitos no Brasil, que era de 1,9% ao ano até 2019.
 
O vice-presidente da Arpen-Brasil destacou que, em decorrência do aumento significativo do número de mortes no país, é crescente também a necessidade de expedição de certidões para que sejam feitos os inventários. “São coisas que vão se interligando umas nas outras”.
 
As certidões dos cartórios de registro civil são necessárias ainda para uma série de atos cotidianos, que incluem o sepultamento de um corpo, a solicitação de benefícios da previdência social, a compra e a venda de imóveis, a entrada em pedidos de separações e divórcios, e até a inclusão em planos de saúde e atendimentos em hospitais.
 
Demanda
 
O aumento no número de óbitos registrados ao longo da pandemia de Covid-19, bem como as restrições à circulação de pessoas e horários reduzidos de atendimento em alguns Estados, teve como efeito a expansão de 162% nos pedidos de segunda via de certidões de óbitos, nascimentos e casamentos por meio digital, entre outras.
 
O vice-presidente da Arpen-Brasil informou que os cartórios de registro civil já disponibilizavam à população, por meio do portal www.registrocivil.org.br, a possibilidade de solicitar a segunda via de certidões “para o exercício pleno da própria cidadania”. Vendramin Júnior comentou que, antes da pandemia, o brasileiro de forma geral preferia ter as certidões de forma física, isto é, em papel. Depois da Covid-19, houve uma mudança em termos comportamentais.
 
“Eu acho que a pandemia veio para incluir a população em novas ferramentas eletrônicas de comunicação, de convivência, reuniões em videoconferência, aulas virtuais, home office. Isso também veio para abrir a possibilidade para o usuário aceitar para si a utilização de documentos eletrônicos, mesmo que o portal de registro civil já apresentasse essa possibilidade e a gente estivesse caminhando para tornar o volume de certidões eletrônicas maior que o de papel. Hoje, é esmagador o número de certidões digitais em detrimento de certidão física (em papel)”, afirmou.
 
Vendramin Júnior alertou, por outro lado, que a população deve tomar cuidado com sistemas não oficiais que se passam por cartórios, mas, na verdade, são intermediários e cobram até cinco vezes mais o valor de uma prestação de serviço.
 
Emolumentos
 
As tabelas de preços de certidões digitais são variáveis. Elas dependem da composição de valores a serem repassados aos Estados. No Distrito Federal, por exemplo, custam entre R$ 12 e R$ 13; em São Paulo, R$ 36. O valor médio oscila entre R$ 36 e R$ 40, disse Vendramin Júnior. Para pessoas que comprovem não poder pagar os emolumentos, existe a questão da gratuidade.
 
De acordo com dados da Arpen-Brasil, em números absolutos, os pedidos de segunda via de certidões eletrônicas evoluíram de 18.090, em março de 2020, no início da pandemia, para 42.087, em fevereiro deste ano. Na comparação entre fevereiro de 2021 e o mesmo mês de 2020, o aumento foi de 145%, enquanto entre os meses de março deste ano e do ano passado, o crescimento atingiu 116%. Em março de 2019, foram registrados 8.595 pedidos; esse número pulou para 18.090 em março de 2020, e para 39.135 em março de 2021.
 
Ao fazer a solicitação da segunda via, o cidadão pode optar por receber a certidão em papel ou digital, em meio eletrônico. Caso opte pelo papel, poderá receber o documento pelos Correios ou retirar no cartório mais próximo de sua residência. Se optar pela certidão digital, ela será enviada para o e-mail do usuário, que pode encaminhá-la de forma eletrônica aos órgãos competentes. Se resolver imprimir, a certidão passa a ser considerada uma cópia.
 
Segundo a Arpen-Brasil, as certidões eletrônicas são, atualmente, as mais solicitadas. Em 2020, foram 235.885, enquanto as pedidas em papel totalizaram 104.410. Nos primeiros três meses de 2021, as certidões digitais já somam 79.898, contra 39.680 em papel. O portal funciona 24 horas em todos dias da semana.
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