Data de publicação: 12-10-2021 23:30:00 - Última alteração: 12-10-2021 23:36:37

Cristo Redentor, que completa 90 anos, não foi um presente da França

O Boticário - Contagem
Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

O monumento de 38 metros de altura,  a 710 metros do nível do mar, no alto do Morro do Corcovado, no Rio de Janeiro, começou a ser construído em 1926, demorou cinco anos para ficar pronto e inaugurado em 12 de outubro de 1931, foi financiado por doações da população brasileira.

Em 1921, nos preparativos para as comemorações do centenário da Independência do Brasil, um grupo católico promoveu concurso para uma estátua em homenagem a Jesus Cristo. O vencedor foi o arquiteto e engenheiro Heitor da Silva Costa, que liderou o projeto, da concepção até a inauguração da obra, em 12 de outubro de 1931.

Segundo a documentarista Bel Noronha, bisneta de Heitor da Silva Costa, muita gente ainda acredita num mito de que o Cristo teria sido um presente da França para o Brasil. Isso  pelo fato de a Estátua da Liberdade, em Nova York, ser um presente do governo francês para os norte-americanos e porque os franceses também trabalharam no projeto do Cristo.

Mas o projeto audacioso feito de concreto armado e pedra sabão foi financiado por doações da população brasileira. Foi a arquidiocese do Rio de Janeiro quem organizou campanhas de arrecadação de fundos mobilizando o Rio de Janeiro e todo o Brasil. 

Heitor buscou parcerias na França para a obra. Os cálculos estruturais foram feitos pelo engenheiro Alberto Caquot e a estátua feita pelo escultor franco-polonês Paul Landowski, grande expoente do movimento art déco. Landowski fez uma maquete e a escultura em tamanho real da cabeça e das mãos do monumento, cujos moldes em gesso foram enviados ao Brasil em partes numeradas. Mas os desenhos do projeto de Heitor da Silva Costa foram feitos pelo pintor Carlos Oswald.

A princípio o projeto teria a imagem de Cristo segurando uma cruz na mão esquerda e o globo, na mão direita, foi apelidado de Cristo da Bola pelos cariocas.

Já o teólogo Alexandre Pinheiro, coordenador do Núcleo de Acervo e Memória do Santuário Cristo Redentor, conta que não foi fácil na época conseguir a autorização do governo republicano para a obra. Um abaixo-assinado de 20 mil mulheres, lideradas pela escritora Laurita Lacerda, ajudou a vencer a resistência do então presidente Epitácio Pessoa.

Grupos de mulheres se reuniram na casa paroquial para fazer os mosaicos que eram posteriormente aplicados na estátua. Muitas escreveram os nomes dos entes queridos no verso dos triângulos de pedra-sabão.

O Cristo Redentor, além de retratar a arte brasileira, a música Samba do Avião de Tom Jobim, ele recebeu visitas ilustres como o papa João Paulo II, o líder espiritual Dalai Lama, a princesa Diana e príncipe Charles e o ex-presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, juntamente com a família.

Comemoração dos 90 anos


Foto: Tomaz Silva / Agência Brasil 

O aniversário do Cristo Redentor, um dos principais cartões postais do país contou com um Ato Cívico Religioso e uma  Santa Missa em Ação de Graças que foi transferida para a Catedral Metropolitana de última hora por causa do mau tempo. O cardeal arcebispo do Rio, D. Orani Tempesta celebrou a missa.

O evento teve a presença de autoridades públicas e religiosas, houve o lançamento da Medalha Comemorativa dos 90 Anos do Cristo Redentor e do Bloco Postal Especial em Homenagem ao Monumento do Cristo Redentor.

A Esquadrilha da Fumaça, da Força Aérea Brasileira, fez uma apresentação sobrevoando o monumento, assim que as condições meteorológicas melhoraram. A Banda do Corpo de Fuzileiros Navais participou do evento. 

Restauração para o aniversário


Foto: Tânia Rêgo / Agência Brasil

A arquiteta e escultora Cristina Ventura, coordenadora da mais recente restauração do Cristo, disse que a qualidade da obra impressiona. “A qualidade chama a atenção mesmo nos dias de hoje. Isso é o mais espantoso. Hoje não encontramos estruturas mais recentes com a qualidade que foi feita nessa obra”, ressaltou Cristina.

Ainda segundo a arquiteta, não tem nenhuma construção nesses moldes, nesse período, com essa audácia que foi o Cristo, a maior escultura art déco do mundo.

“Não só os engenheiros e os arquitetos envolvidos no projeto foram audaciosos, mas também os operários  que sem equipamentos de proteção individual trabalharam pendurados em andaimes sobre um precipício de mais de 700 metros de altura. A nossa equipe faz as restaurações com tanto amor, agora imagina para a sensação de quem ajudou a construir o Cristo Redentor. Que tipo de compromisso essa galera tinha?”, questionou Cristina.

Para o aniversário de 90 anos, foram feitos reparos emergenciais em partes que haviam sido danificadas pelas intempéries: trechos do manto, dedo direito e parte frontal da cabeça. Como parte da manutenção preventiva, o Cristo ganhou um equipamento para medir os ventos que atingem a estátua e também um pára-raios reforçado.
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