Data de publicação: 28-11-2012 00:00:00

Disciplina: dentro e fora do tatame

O Boticário - Contagem

Foto: Robson Rodrigues

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Por Leandro Dias

O primeiro contato dele com o esporte foi aos nove anos quando decidiu aprender taekwondo devido às brigas na escola. Durante seis meses ele treinou a arte milenar, mas um problema de saúde o afastou do tatame, voltando apenas aos 16 anos.

Diomar Renato de Oliveira Brandão tem 34 anos, é casado e pai do pequeno Samuel.

O professor DIOMAR, como é chamado na academia em que é proprietário, explica que o esporte é essencial para formação da cidadania. Ele comenta as expectativas do taekwondo brasileiro nas olimpíadas de 2016 e defende a aplicação correta das verbas para benefício dos atletas.

DC – Como começou a praticar taekwondo?

Diomar – Comecei aos nove anos, mas parei por um tempo devido a uma rinite alérgica provocada pelo contato no tatame, que era feito de carpete. Na época tentei esconder de minha mãe o motivo do aumento da minha alergia. Mas foi quando, em uma consulta, o médico perguntou se eu tinha contato com este tipo de tapete. Na hora fiquei calado, mas minha mãe se lembrou de que na academia tinha. Então aos 16 anos voltei a praticar, pois já existiam tatames feitos de borracha e não me causaria alergia.

DC – Por que escolheu taekwondo?

Diomar - Sempre gostei dos filmes de lutas, principalmente Karate Kid. Ficava admirado com os movimentos. Também tinha um vizinho que treinava taekwondo no telhado e eu sempre observava aquilo. Decidi mesmo, quando comecei a apanhar muito na escola, eu precisava me defender.

DC - Qual sua formação?

Diomar – Tenho o curso de provisionado em educação física. Sou professor faixa preta segundo Dan (graduação que chega até a nona posição). Tenho uma academia e treino os alunos do Instituto Maria Montessori.

DC – Quem você admira no esporte?

Diomar – Como praticante do taekwondo admiro o trabalho do Diogo Silva, medalha de ouro no Pan do Rio em 2007. E como gestor esportivo gosto do Fábio Goulart, técnico da seleção júnior no Mundial da Coréia do Sul, em 2004.

DC - Quem pode praticar taekwondo?

Diomar – Qualquer pessoa de 4 a 70 anos com condições físicas que permitem. Aqui na academia tenho alunos homens, mulheres, crianças, adultos e até idosos.

DC – Qual a contribuição deste esporte para a formação cidadã?

Diomar – O princípio do taekwondo é a disciplina. O praticante aprende que é preciso cumprir deveres, digo isso em todos os âmbitos. No esporte lidamos com hierarquias, e com certeza isso ensina o lutador cobrar por seus direitos e também cumprir os deveres.

DC – Como evitar que o aluno não leve a luta para fora do tatame e transforme a derrota em uma competição de ofensa pessoal?

Diomar – Ressalto sempre a questão da disciplina e do comprometimento que eles devem ter em manter o respeito com os adversários. O que é aprendido na academia deve ser levado para todos os ambientes. Trabalho com o exemplo, mostrando a eles atletas campeões e associo a ideologia da disciplina. As regras são muito rígidas e devem ser respeitadas para o atleta continuar praticando o taekwondo.

DC – Qual a importância da educação física nas escolas?

Diomar – Vemos muitos professores que apenas “rola a bola” para os alunos e não desenvolvem atividades para o desenvolvimento motor das crianças. Hoje em dia, vemos crianças com analfabetismo motor, que não sabe se equilibrar em uma perna só. Há esportes que acredito não deveriam ser praticados nas escolas em crianças até 4 anos, como o futebol, por exemplo. Penso que este tipo de aluno não está preparado fisicamente para este esporte.

DC - O que você pensa sobre a inserção da modalidade do taekwondo nas aulas de educação física?

Diomar – É essencial. Mas infelizmente uma hora por semana é muito pouco para aprimorar as técnicas e ensinamentos de algum esporte, mas a prática serve para despertar o interesse dos alunos para a modalidade.

DC – Como é o cenário do taekwondo em Contagem?

Diomar – Temos dois eventos anuais na cidade. Um deles é uma competição com crianças apenas de Contagem. A outra é com adolescentes e adultos de toda região metropolitana de Belo Horizonte.

DC – De que maneira você orienta os alunos sobre as participações nas competições?

Diomar – Eu falo que é possível e que eles têm capacidade para isso, aquele que realmente eu perceba que tenha. E exponho também as dificuldades, como os altos preços para inscrições nos grandes campeonatos.

DC - E sua expectativa para os atletas do taekwondo brasileiro nas olimpíadas de 2016?

Diomar – Vai ser um fiasco. O orçamento das organizações não é investido de maneira correta e os atletas acabam prejudicados. Não há nenhum nome em ascensão para as olimpíadas, apenas os que foram aos jogos de Londres e conseguiram experiência internacional. Nesse sentido, acredito que a equipe brasileira pode ficar prejudicada. Em nosso país não existe a cultura de competição. Os alunos não são despertados para este lado, além de ser muito caro participar e o patrocínio, às vezes, é pouco.

 

 

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