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Lecy Pereira Sousa
Será que um livro pode modificar a vida de uma pessoa ou de uma comunidade? Sim e não. Veja o exemplo da Bíblia Sagrada. Para muitos, tomados pela crença, ela transforma suas vidas todos os dias. Para outros, a Bíblia não passa de um apanhado de textos filosóficos com algum fundo histórico. Conclui-se, meio vagamente, que um livro transforma aquele que crê nessa possibilidade.
Em meados dos anos 80 do Século XX (puxa, nem se passou tanto tempo assim), eu tive a oportunidade de ler o livro “Não Verás País Nenhum” de Ignácio de Loyola Brandão, um dos escritores mais conhecidos no país. Nos anos 70, o autor visitou Cuba com Chico Buarque e outros amigos e essa viagem rendeu o livro “Cuba de Fidel – Viagem à ilha proibida”.
Contista, jornalista e romancista, em “Não Verás País Nenhum”, Loyola nos assombra ao pintar uma cidade de São Paulo futurista e caótica. Nada daqueles carros flutuantes e todo mundo nadando em dinheiro. A propósito, nadar passa a ser uma vaga lembrança, mesmo em piscinas, na mente dos paulistanos. A falta de água faz as pessoas reciclarem urina para matarem a sede, antes que o contrário ocorra. Estaria o autor profetizando por meio da ficção? Não pode ser. Um mundo sem rios seria o xerox do inferno.
Imagine mais de 11 milhões de habitantes batendo cabeça para não morrerem de sede? E tudo como um reflexo da derrubada irrepreensível da Floresta Amazônica. O livro não estava certo em relação ao ano do caos (2003), assim como o escritor George Orwell em “1984”, acerca do totalitarismo. Mas o paralelo da vida real dá o que pensar.
A forma de governo em “Não Verás País Nenhum”, sustentadora da violência em tempos apocalípticos, recebe o sugestivo nome de “Esquema”. Nem no futuro ficcional, a política se regenera. Será que Souza (o personagem principal) com seu furo na mão conseguirá vencer? E esse livro, pode servir como alerta e provocar mudanças benéficas nos leitores?
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