Foto: José Cruz/Agência
Entre os denunciados está o ex-marido da ativista, Marco Antônio Heredia. O grupo é acusado de usar notícias falsas, laudo forjado e perseguição virtual para atacar símbolos da luta contra a violência doméstica.
A Justiça do Ceará aceitou, nesta segunda-feira (9/3), a denúncia do Ministério Público e tornou réus quatro homens acusados de organizar uma sistemática campanha de ódio e desinformação contra a farmacêutica Maria da Penha.
O grupo, que inclui o ex-marido da ativista, Marco Antônio Heredia Viveiros, é acusado de atuar para descredibilizar a lei que leva o nome da vítima e atacar sua honra por meio de notícias falsas e perseguições virtuais.
Além de Heredia, tornaram-se réus o influenciador digital Alexandre Gonçalves de Paiva, o produtor Marcus Vinícius Mantovanelli e o editor Henrique Barros Lesina Zingano.
Segundo as investigações, o grupo utilizava redes sociais, grupos de WhatsApp e até a produção de um documentário para disseminar conteúdos misóginos e deturpar fatos históricos do caso.
Laudo forjado e uso de documentário
Um dos pontos centrais da denúncia é a utilização de um exame de corpo de delito adulterado para sustentar a falsa tese de que Marco Heredia seria inocente.
O documento forjado foi exibido no documentário "A Investigação Paralela: o Caso Maria da Penha", com o objetivo de sugerir que o casal teria sido vítima de um assalto em 1983, versão já desmentida pela perícia na época da condenação de Heredia por tentativa de homicídio.
A análise técnica do Ministério Público identificou montagens grosseiras no laudo, como assinaturas divergentes e a inclusão de lesões inexistentes no documento original.
Os réus Zingano e Mantovanelli vão responder pelo uso do documento falso, enquanto Heredia foi denunciado pela falsificação do documento público.
Perseguição e lucro com desinformação
O Ministério Público aponta que os riscos da campanha de ódio extrapolaram o ambiente digital.
O influenciador Alexandre Paiva chegou a ir até a antiga residência de Maria da Penha, em Fortaleza, para gravar vídeos de ataques. Ele vai responder pelos crimes de stalking e cyberstalking.
As investigações revelaram ainda que o grupo visava lucro com a desinformação. Quebras de sigilo bancário mostraram que Alexandre Paiva recebia repasses de plataformas como Google e Meta, ao monetizar o conteúdo de ataques e perseguições contra a ativista.
Proteção à vítima
Devido à gravidade das ameaças e à intensidade dos ataques coordenados, Maria da Penha foi incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos.
A operação que desmantelou o grupo, batizada de "Echo Chamber", já havia resultado na suspensão de perfis nas redes sociais e na proibição de contato dos envolvidos com a ativista e suas filhas.
Maria da Penha tornou-se símbolo mundial após sobreviver a duas tentativas de assassinato cometidas por Heredia em 1983, uma por tiro, que a deixou paraplégica, e outra por eletrocussão.
Fonte: Agência Brasil
