Os ensaios continuam a todo vapor para a tradicional encenação da “Paixão e Morte de Cristo” 2026, que acontece na Sexta-Feira da Paixão (3/4), a partir das 18h, no Espaço Popular da Paróquia São Gonçalo.
Esse ano, a proposta ousada, vai apresentar um espetáculo que promete unir fé, arte e reflexão social. A montagem traz um olhar atual sobre a história de Jesus.
A narrativa conecta passagens bíblicas com a realidade de brasileiros que enfrentam dificuldades para garantir moradia e dignidade.
Enredo do espetáculo
O enredo da peça teatral se passa em um cenário urbano. A história surge sob a sombra de prédios e ruas da cidade. O público vai acompanhar a trama pelo olhar de Zé, um narrador popular.
Zé conduz personagens como Seu Cícero, pedreiro que perdeu espaço na cidade, Alice, jovem marcada pela exclusão, Biu, símbolo da juventude periférica, e Dona Penha, guardiã da memória e da solidariedade.
A encenação destaca o paralelo entre o sofrimento de Cristo e a realidade social. A proposta mostra que a rejeição aos mais pobres se repete ao longo da história.
O espetáculo também aborda temas como desigualdade, abandono e luta por justiça.
A figura de Jesus aparece próxima do povo. Jesus dialoga com os invisíveis, acolhe os que sofrem e confronta estruturas de poder.
A narrativa também aprofunda o conflito de Judas, com foco na culpa e no arrependimento.
Outro ponto central é o julgamento de Cristo. A cena evidencia disputas políticas e interesses que ignoram o clamor popular. A abordagem faz ligação direta com o cenário atual.
A estética mistura elementos do cordel com a linguagem urbana. A trilha sonora e a ambientação reforçam o contraste entre tradição e realidade contemporânea.
O espetáculo propõe mais do que uma encenação religiosa. Ele convida à reflexão sobre o presente.
A produção do Grupo Gonçalante de Teatro, ligada à Paróquia São Gonçalo, trás a direção de Cleydson Fagundes, com produção de Arnaldo Rodrigues e direção de elenco de Thiago Abreu. A equipe conta ainda com sonoplastia de Marquinho DJ e iluminação de Marco Túlio.
A realização envolve também os padres Márcio Ribeiro e Clerisson Avelar, além de voluntários da comunidade. A locução de abertura fica por conta de Guilherme Melo.
O espetáculo conta com apoio da Câmara Municipal de Contagem e da Prefeitura de Contagem, com divulgação do Jornal Diário de Contagem Online.
A história do espetáculo
A encenação da Paixão de Cristo em Contagem começou em 1983, na Paróquia São Gonçalo, logo após a chegada de novos padres à comunidade. No início, o espetáculo era simples e acontecia em um barranco ao lado da igreja, que depois se transformou no Espaço Popular, inaugurado em 1985 e com capacidade para cerca de 15 mil pessoas.
Os primeiros atores eram moradores da própria comunidade. O grupo de jovens da igreja escrevia os roteiros e organizava tudo, sob a direção de Maria Madalena, que liderou o projeto até 1999.
Em 2000, a encenação foi interrompida para reflexão. No ano seguinte, voltou com a nova direção de Arnaldo Rodrigues e com o grupo Gonçalante de Teatro. A partir daí, o espetáculo evoluiu, ganhou mais estrutura, dinamismo e características de teatro profissional.
Ao longo dos anos, vários diretores e atores passaram pela produção, que sempre contou com forte participação da comunidade. Mesmo com a maioria do elenco formada por voluntários, o espetáculo passou a incluir também atores profissionais.
A apresentação ficou suspensa por dois anos durante a pandemia de Covid-19 e retornou em 2022. Desde então, continua como uma das maiores manifestações culturais da cidade.
Em mais de 40 anos de história, o evento já atraiu cerca de 400 mil espectadores e se consolidou como o maior espetáculo teatral ao ar livre da Região Metropolitana de Belo Horizonte.
O Grupo Gonçalante de Teatro mantém o projeto com recursos próprios e apoio de parceiros. Os participantes são voluntários e ajudam a manter viva uma tradição que une fé, cultura e comunidade em Contagem.
Serviço:
Paixão e Morte de Cristo – Contagem 2026
Sexta-Feira da Paixão (3/4), a partir das 18h, no Espaço Popular da Paróquia São Gonçalo.
Realização: Grupo Gonçalante de Teatro e comunidade local
Evento público e gratuito.
Fonte: Assessoria de imprensa


