Foto: ICMBio
Renaturalizar ou descanalizar rios que cortam as cidades pode ser a chave para enfrentar chuvas extremas e adaptar centros urbanos às mudanças climáticas.
A renaturalização ou a descanalização de rios urbanos surge como uma das principais estratégias para conter enchentes nas cidades brasileiras.
Especialistas apontam que recuperar cursos d’água e ampliar áreas verdes reduz os impactos das chuvas intensas, cada vez mais frequentes.
O modelo urbano baseado em concreto e asfalto agrava o problema. A impermeabilização do solo acelera o escoamento da água e aumenta o risco de alagamentos.
A requalificação dos rios, aliada à recuperação ambiental, pode mudar esse cenário.
Especialistas
A paisagista da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza, Cecília Herzog, alerta que a água sempre busca seu caminho.
“Sem áreas de absorção, a água se concentra e provoca inundações, principalmente em regiões mais baixas”.
Com solo permeável, o fluxo desacelera. A água corre mais lentamente e infiltra, permanece por mais tempo no terreno e segue seu curso de forma equilibrada.
Segundo a bióloga da Fundação Grupo Boticário, Juliana Baladelli Ribeiro, “essas ações formam um novo modelo de desenvolvimento. A cidade passa a integrar natureza e infraestrutura”.
Renaturalização
O conceito de renaturalização já avança em algumas cidades. Em São Paulo, o futuro Parque do Bixiga prevê a reabertura de um córrego e a preservação de nascentes.
O projeto nasceu após décadas de mobilização social, já que rios abertos, com vegetação ciliar, suportam melhor o volume das chuvas.
No Rio de Janeiro, estudos avaliam a recuperação do Rio Maracanã. A proposta inclui devolver características naturais ao curso d’água e ampliar a capacidade de drenagem da região.
Além dos rios, especialistas defendem um conjunto de soluções. Telhados verdes, jardins de chuva, valetas vegetadas e áreas de retenção ajudam a absorver a água e reduzir o calor urbano.
As especialistas reforçam que medidas isoladas não resolvem o problema. A adaptação climática exige planejamento e ações integradas.
Cada cidade precisa adotar soluções de acordo com a respectiva realidade. Recuperar rios e áreas verdes deixa de ser opção. Torna-se necessário diante dos eventos climáticos extremos.
Contramão
Mas infelizmente, em Contagem, as canalizações ainda continuam, avenidas sanitárias onde os cursos são alterados e vias são construídas às margens.
Ainda são gastos milhões de reais com as tais bacias de detenção, que, segundo especialistas, são obras paliativas e ineficazes.
Fonte: Agência Brasil

