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A decisão unânime do Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), aponta possível abuso de poder por parte do Google que utiliza conteúdos jornalísticos sem remuneração para os buscadores e para alimentar a inteligência artificial.
O Tribunal do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) decidiu, por unanimidade (5 a 0), nesta quarta-feira (23/4), reabrir a investigação contra o Google.
O processo apura possível abuso de posição dominante no uso de conteúdo jornalístico sem remuneração aos veículos de comunicação.
A decisão marca uma virada no caso, já que o tribunal rejeitou o entendimento anterior da Superintendência-Geral, que havia recomendado o arquivamento da investigação.
O foco principal está no uso de ferramentas de inteligência artificial do Google, tecnologias que sintetizam notícias diretamente nos resultados de busca.
O modelo reduz o acesso aos sites de origem e ao mesmo tempo, gera valor econômico para a plataforma sem repasse aos produtores de conteúdo.
O Cade também reconheceu uma relação de dependência entre veículos de comunicação e o buscador.
Segundo a análise, essa dependência é “crítica” e sso permite à plataforma impor condições unilaterais ao mercado de notícias.
A decisão reforça a preocupação com o impacto das grandes plataformas digitais sobre o jornalismo.
Para a Associação Nacional de Jornais (ANJ), o movimento representa um marco histórico ao defender a necessidade de garantir sustentabilidade econômica ao setor.
O processo agora segue para fase de instrução, quando o Cade deve aprofundar a análise sobre práticas concorrenciais e possíveis prejuízos ao mercado de informação.
O caso ocorre em meio a debates globais sobre remuneração de conteúdo jornalístico. Países discutem regras para equilibrar a relação entre empresas de tecnologia e veículos de imprensa.
A decisão do Cade amplia a pressão por regulação do ambiente digital. O desfecho pode influenciar o futuro do jornalismo e das plataformas no Brasil.
Os sites de notícias alegam que o Google usa trechos, títulos e fotos nas buscas e no Google News sem pagar nada por isso. O Google diz que leva tráfego pros portais.
Na Austrália e no Canadá o Google fechou acordos e começou a pagar veículos após pressão regulatória. Na França houve multa bilionária.
Em outros países o Google ameaçou tirar o Google News do ar se fosse obrigado a pagar.
No Brasil, o Cade pode aplicar multas de até 20% do faturamento da empresa no Brasil e impor o Google a negociar e remunerar.
Além do CADE, tem projeto no Congresso Nacional para criar o "direito conexo", que obriga as Big Techs a pagar por conteúdo jornalístico.
Fonte: Assessoria de imprensa



