Fotos: Instituto Latino Americano de Sepse (ILAS)
O Dia Mundial da Sepse, celebrado neste domingo (13/9), reforça o alerta para uma das condições mais graves enfrentadas nos hospitais.
A doença pode provocar disfunções de órgãos e evoluir para falência múltipla, incluindo graves complicações pulmonares
No Brasil, as internações por sepse cresceram de forma significativa na última década, enquanto a taxa de mortalidade permaneceu acima de 44% durante todo o período analisado em estudo baseado em dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS/DataSUS).
Segundo levantamento publicado pela Editora Atena, o número de internações passou de 110.064 casos em 2015 para 185.952 em 2024, o maior volume registrado na série apresentada.
Em 2025, houve uma leve retração. A mortalidade, entretanto, permaneceu elevada, entre 44,24% e 46,41% ao longo do período analisado.
Os números reforçam a necessidade de ampliar a prevenção, o reconhecimento dos primeiros sinais e o tratamento rápido.
A sepse, muitas vezes chamada popularmente de “infecção generalizada”, pode provocar uma resposta desregulada do organismo diante de uma infecção e levar a disfunções de órgãos potencialmente fatais.

Sepse, quem está mais vulnerável
Segundo a médica infectologista e professora da Afya Montes Claros, Dra. Izabela Bretas, a sepse ocorre quando uma infecção desencadeia uma resposta inflamatória exacerbada do organismo.
Bactérias e vírus estão entre os principais agentes causadores. Fungos e parasitas também podem, eventualmente, provocar o quadro.
Entre os grupos com maior risco estão pessoas com doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial e dislipidemias, além de indivíduos imunossuprimidos, pacientes em tratamento contra o câncer e pessoas que passaram por transplantes.
Também apresentam maior vulnerabilidade pacientes internados em hospitais ou instituições de longa permanência, crianças, neonatos e idosos.
No caso da população idosa, um dos fatores envolvidos é a imunossenescência, processo associado ao envelhecimento do sistema imunológico.
Nem toda infecção é sepse
Um dos pontos destacados pela especialista é a necessidade de diferenciar uma infecção comum de um quadro de sepse. Uma infecção pode atingir diferentes órgãos e apresentar manifestações específicas.
Uma infecção urinária baixa, como a cistite, por exemplo, costuma provocar dor e ardência ao urinar, dor suprapúbica e alterações no aspecto da urina. Isso não significa, por si só, que o paciente tenha sepse.
A sepse ocorre quando a infecção provoca disfunção orgânica, como uma alteração da função dos rins. Por isso, a avaliação médica é fundamental para identificar sinais de gravidade e iniciar rapidamente as medidas necessárias.
Entre os sinais que podem indicar sepse estão hipotensão arterial, confusão mental e esforço respiratório. A identificação precoce pode ser decisiva para controlar tanto a infecção quanto as alterações provocadas pelo organismo.

Complicações
Entre as consequências mais graves da sepse está o comprometimento do sistema respiratório. A lesão pulmonar aguda pode contribuir para a falência de múltiplos órgãos e aumentar significativamente o risco de morte.
Uma revisão publicada em 2023 na revista Frontiers in Medicine aponta que entre 25% e 50% dos pacientes com sepse podem apresentar lesão pulmonar aguda. Nesse grupo, a mortalidade estimada chega a aproximadamente 40%.
O comprometimento respiratório, portanto, está entre os principais desafios no atendimento de pacientes com quadros graves de sepse.
Ambiente hospitalar exige atenção redobrada
As infecções adquiridas em ambientes hospitalares podem apresentar maior risco de evolução para sepse, especialmente porque atingem pacientes que já apresentam condições de saúde mais frágeis.
A especialista cita como exemplo a pneumonia hospitalar, cenário que reúne diferentes fatores de risco: presença de microrganismos resistentes, pacientes vulneráveis e circulação de profissionais, acompanhantes, visitantes e prestadores de serviços.
“Qualquer infecção pode evoluir para sepse, seja no trato urinário, nas vias respiratórias, no sistema nervoso central, na pele ou em partes moles", ressalta Dra. Izabela Bretas.
A evolução depende de diversos fatores, entre eles o perfil do paciente, o agente causador da infecção, a rapidez do diagnóstico e o início do tratamento, além do controle das possíveis complicações.
Problema de saúde mundial
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), são registrados aproximadamente 48,9 milhões de casos de sepse e 11 milhões de mortes relacionadas à doença por ano.
O número representa cerca de 20% de todas as mortes no mundo.
No Brasil, os índices de mortalidade apresentados no levantamento permanecem elevados e superam os registrados em países desenvolvidos, segundo os dados citados no material.
O cenário reforça que o combate à sepse depende não apenas de estrutura hospitalar e tratamento adequado, mas também da capacidade de reconhecer rapidamente uma infecção que começa a provocar alterações no funcionamento dos órgãos.
A orientação central dos especialistas é clara: diante de uma infecção acompanhada de sinais de gravidade, a avaliação médica não deve ser adiada.
Quanto mais cedo a Sepse for reconhecida e tratada, maiores são as possibilidades de controlar a infecção e evitar complicações graves.
Fonte: Assessoria de imprensa

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