Data de publicação: 20-10-2026 02:15:00

Flávio Bolsonaro é investigado pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro

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Foto: IA

A Polícia Federal (PF) investiga se o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República, teve participação em um suposto esquema de lavagem de dinheiro em conjunto com o advogado Willer Tomaz. 

O caso tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, e surgiu a partir de apurações sobre possíveis crimes financeiros relacionados a plataformas de apostas esportivas, conhecidas como bets.

Segundo informações publicadas pelos jornais O Estado de S. Paulo e O Globo, os investigadores encontraram registros que apontariam vínculos entre o senador e o advogado. 

A análise inclui mensagens, e-mails e outros dados extraídos de dispositivos eletrônicos de Tomaz. A investigação busca esclarecer a natureza das relações financeiras e pessoais entre os dois.

Flávio classificou as acusações como “fake news”. Tomaz também negou irregularidades e questionou a divulgação do caso às vésperas de um debate entre candidatos à Presidência.

E-mails levantam suspeita sobre conta bancária

Um dos elementos examinados pela PF é uma troca de e-mails que indicaria que Flávio Bolsonaro esteve cadastrado como “usuário master” de uma conta bancária vinculada à empresa Alcazar Holdings, que também teria relação com Willer Tomaz.

De acordo com as informações divulgadas, a conta era mantida no Santander e administrada pelo advogado. 

Em maio de 2025, uma funcionária do escritório de Tomaz solicitou ao banco a retirada dos vínculos associados aos nomes dos dois. O banco confirmou a exclusão, conforme os registros citados nas reportagens.

Flávio e Tomaz negam que tenham compartilhado uma conta bancária. Os dois sustentam que o e-mail não comprova a existência de uma relação financeira entre eles.

A PF também identificou indícios de que Tomaz teria controle sobre a Rede Loto, empresa que recebeu autorização do governo do Rio de Janeiro para operar em maio de 2023. 

A suspeita integra uma apuração mais ampla sobre possível evasão de divisas e lavagem de dinheiro por meio de apostas.

Movimentações bilionárias em plataforma

O advogado também entrou no radar dos investigadores por movimentações financeiras relacionadas à plataforma de apostas Blaze. Em uma ação judicial, Tomaz afirmou ter perdido R$ 163,2 milhões em jogos de cassino virtual durante 2025.

Documentos apresentados pela defesa apontam R$ 4,8 bilhões em ganhos e R$ 4,96 bilhões em perdas, valores que somariam quase R$ 10 bilhões em movimentações entre apostas e prêmios.

Tomaz argumenta que a plataforma não bloqueou a conta, mesmo após pedidos para suspender o acesso. Os números citados fazem parte de documentos relacionados à disputa judicial e, por si só, não comprovam a prática de crime.

Viagens internacionais 

A PF também reuniu registros de viagens internacionais realizadas por Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Os investigadores identificaram pelo menos cinco deslocamentos conjuntos no primeiro semestre de 2025.

Em março daquele ano, os dois viajaram à África do Sul com familiares e amigos. O roteiro incluiu um safári. Em abril, seguiram juntos para Portugal e, no mês seguinte, voltaram à Europa, dessa vez com as famílias, em uma viagem que incluiu Portugal e França.

Fotografias, reservas, registros de voos e informações sobre aluguel de veículos encontrados no celular e na caixa de e-mails do advogado ajudaram a reconstituir os deslocamentos.

A PF também identificou uma viagem realizada em janeiro de 2025, quando Flávio, a esposa e as duas filhas retornaram da Flórida, nos Estados Unidos, para Brasília no mesmo jatinho que transportava Tomaz e familiares. 

A aeronave era operada pela Prime You, empresa de aviação executiva que teve Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, entre seus sócios.

Segundo as informações divulgadas, Tomaz também teria custeado viagens com o senador e seus familiares por meio da empresa Cathedral Holding, utilizada como intermediária na compra de passagens.

O advogado afirmou que contratou os serviços da empresa de aviação como cliente e que desconhecia a participação de Vorcaro na sociedade.

Em agosto, Tomaz ainda cedeu a Flávio um apartamento na Vila Nova Conceição, na zona sul de São Paulo, para uso durante a campanha. 

O imóvel também gerou questionamentos pelo histórico de propriedade e por vínculos anteriores com pessoas ligadas a Vorcaro.

Relação pessoal e atuação profissional

A proximidade entre Flávio e Tomaz não se limita às viagens. Em 2021, durante a CPI da Covid no Senado, o parlamentar saiu em defesa do advogado quando integrantes da comissão tentaram quebrar seu sigilo. 

Na ocasião, Flávio se referiu a ele como “meu amigo Willer Tomaz”. As investigações também apontaram que os dois atuam em conjunto em processos judiciais. 

Em uma disputa empresarial no Superior Tribunal de Justiça (STJ), eles representam um dos sócios de uma indústria do Rio Grande do Norte em um caso que envolve a execução de R$ 159 milhões.

Tomaz também é investigado por suspeita de participação em fraudes relacionadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e já foi alvo de mandado de busca e apreensão, segundo as informações publicadas.

Filme sobre Jair Bolsonaro

Flávio também é alvo de uma investigação no STF sobre o financiamento de Dark Horse, filme a respeito do ex-presidente Jair Bolsonaro. 

O procedimento apura suspeitas de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção e possíveis delitos relacionados à produção cinematográfica.

A investigação foi solicitada pela Polícia Federal e autorizada pelo ministro André Mendonça, após aval da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Mensagens divulgadas pelo portal The Intercept Brasil indicam que Flávio teria pedido ao banqueiro Daniel Vorcaro R$ 131 milhões para financiar a obra. 

Planilhas apreendidas pela PF apontariam o pagamento de R$ 60 milhões. Flávio nega irregularidades e afirma que não houve uso de dinheiro público na produção.

Flávio e Tomaz contestam as suspeitas

Em nota, Flávio Bolsonaro afirmou que a relação entre ele e o advogado se limita à amizade entre as famílias. 

O senador classificou como falsas as informações sobre uma conta bancária compartilhada e acusou a divulgação das suspeitas de ter motivação eleitoral.

Willer Tomaz, por sua vez, questionou o vazamento de informações sobre um inquérito que, segundo ele, era desconhecido até então. 

O advogado afirmou que a Rede Loto nunca operou como plataforma de apostas e que a Cathedral Holding é uma empresa patrimonial. Também negou movimentações financeiras irregulares entre as empresas citadas.

Fonte: O Globo
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