Foto: Acervo Frederico Lopes
Contagem marcou presença na 21ª Mostra de Cinema de Ouro Preto (CineOP 2026), um dos mais importantes festivais brasileiros dedicados à preservação, história e educação audiovisual.
O curta-metragem "Lentes Mirins", produzido pela Comunidade Guarani Kaiowá, foi exibido na programação oficial da Mostra Educação, no Cine Teatro Petrobras, para levar ao público o cotidiano, os sonhos e a realidade de crianças do bairro Ressaca.
O filme foi dirigido por Frederico Alves Lopes e teve um diferencial que chamou a atenção: as próprias crianças da comunidade foram as responsáveis por registrar as imagens durante oficinas de fotografia e cinema realizadas entre 2019 e 2020.
Com câmeras digitais, as crianças construíram uma narrativa sensível sobre o território onde vivem, mostrando brincadeiras, estudos, desafios e a relação com a comunidade sob a perspectiva infantil.

Momento em que as crianças e protagonistas do projeto assistiram o filme
A produção foi viabilizada por meio do Edital de Projetos Culturais da Prefeitura de Contagem, com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), do Ministério da Cultura, e teve realização da Comunidade Guarani Kaiowá.
Segundo o diretor Frederico Alves Lopes, a seleção do curta para a CineOP representou um importante reconhecimento ao trabalho desenvolvido em Contagem e à qualidade da produção audiovisual realizada no município.
"O filme retrata o cotidiano das crianças Guarani Kaiowá do bairro Ressaca e levar essa experiência para um dos maiores festivais de cinema do Brasil amplia o alcance da produção local. É uma forma de mostrar o potencial do cinema de Contagem no cenário contemporâneo", destacou.
Frederico também ressaltou que o resultado evidencia a capacidade criativa existente na cidade.
Para ele, com incentivo e valorização, Contagem pode consolidar-se como um importante polo de produção audiovisual, ao ampliar a identidade cultural para além da tradição industrial.
Com pouco mais de cinco minutos de duração, "Lentes Mirins" propôs uma reflexão sobre pertencimento, identidade, direito à cidade e valorização dos territórios populares.
A mensagem central da obra reforçou que "a terra pertence a quem a faz viva", transformando o olhar infantil em instrumento de memória, expressão e transformação social.
Além da realização do curta, o projeto buscou fortalecer a autoestima das crianças participantes, ampliar o acesso ao cinema como linguagem artística e estimular a produção coletiva, para contribuir para a democratização do audiovisual e para a construção da identidade cultural contagense.
Fundada em março de 2013, a Comunidade Guarani Kaiowá reúne atualmente mais de 550 moradores e se consolida como referência em iniciativas culturais e audiovisuais, ao utilizar o cinema como ferramenta de educação, preservação da memória e inclusão social.
Fonte: PMC

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