Fotos: Robson Rodrigues
A história de resistência dos trabalhadores de Contagem volta aos palcos nesta sexta-feira (21/8) e sábado (22/8), com duas apresentações gratuitas da peça “Parem as Máquinas!”.
O espetáculo, produzido pelo coletivo Núcleo Cena Crítica e dirigido por Gabriel Vinícius, retrata a histórica greve metalúrgica de 1968, iniciada em Contagem durante a ditadura militar.
A apresentação da sexta-feira (21), às 20h, na Obra Social da Paróquia Nossa Senhora de Fátima, no Jardim Industrial. No sábado (22/8), às 19h, a montagem será apresentada no Parque Ecológico do Eldorado.
A peça
Inspirada no documentário 1968: A Greve de Contagem, lançado em 2018 por Carlos Pronzato, a peça transporta o público para o período em que trabalhadores da siderúrgica Belgo-Mineira cruzaram os braços para reivindicar um reajuste salarial de 25%.
O movimento durou 11 dias e se tornou um dos episódios mais marcantes da resistência operária durante o regime militar.
Segundo a produção, cerca de 1.200 trabalhadores de Contagem participaram diretamente da paralisação, que chegou a mobilizar aproximadamente 15 mil pessoas na Região Metropolitana de Belo Horizonte, João Monlevade e Vale do Aço.
Resistência operária
A montagem destaca a coragem dos trabalhadores e a força da mobilização coletiva em um período de forte repressão política e sindical.
De acordo com o diretor Gabriel Vinícius, a greve ocorreu antes da promulgação do AI-5, em um momento no qual ainda existia entre os trabalhadores a expectativa de que o regime pudesse ser derrotado.
“A peça vai direto na ferida porque durante a greve, o AI-5 ainda não havia sido promulgado, e havia uma esperança de que a ditadura pudesse ser derrubada”, explica o diretor.
Para Gabriel, revisitar aquele episódio permite compreender a importância das conquistas obtidas em um dos períodos mais difíceis da história brasileira.
A greve terminou com uma conquista considerada histórica: o regime militar concedeu um abono salarial de 10%, a primeira concessão dessa natureza desde o início da ditadura.
A mobilização também teve uma característica particular. Como o sindicato estava sob intervenção e atuava na clandestinidade, a paralisação não partiu de um chamado oficial da entidade sindical.
“Foi um movimento específico, sem chamado sindical, pois o sindicato estava sob intervenção e operando na clandestinidade. Os trabalhadores, politizados e enfrentando a violência da ditadura, decretaram a greve espontaneamente”, relembra Gabriel.

Espetáculo dá voz à memória de Contagem
“Parem as Máquinas!” utiliza o teatro para aproximar o público de um capítulo importante da história política e social de Contagem.
A proposta é resgatar a memória dos trabalhadores e mostrar como a organização coletiva foi capaz de produzir resultados mesmo diante da repressão.
A montagem também busca provocar reflexão sobre as lutas sociais, as conquistas trabalhistas e a importância de preservar a memória de acontecimentos que marcaram a cidade.
A produção executiva é de Pabs Andrade e a trilha sonora é assinada por Chedinho. O elenco reúne Gabi Vieira, Manu Macedo, Jéssica Luiza Cardoso, Cristiano Nery e Douglas Martins.
O projeto foi financiado pelo Edital 003/2023 Paulo Gustavo: Outras Linguagens.
Serviço:
Peça “Parem as Máquinas!”
Sexta-feira – 21 de agosto, às 20h
Obra Social da Paróquia Nossa Senhora de Fátima
Rua Francisco Felipe Rodrigues, 107 – Jardim Industrial
Sábado – 22 de agosto, às 19h
Parque Ecológico do Eldorado
Rua Paineiras, 753 – Eldorado
Tema: greve metalúrgica de Contagem de 1968
Produção: Núcleo Cena Crítica
Direção: Gabriel Vinícius

Fonte: Assessoria de imprensa

.jpg)










